O instante em que a alma atravessa
O ano não se inaugura com promessas.
Ele se abre como uma porta antiga
que range quando a empurramos por dentro.
Há versões nossas
que não morreram —
apenas aprenderam a sobreviver no escuro.
Vestiram o medo como abrigo,
confundiram permanência com segurança.
Mudar o calendário é um gesto raso.
O difícil é desatar os nós invisíveis
que nos mantêm fiéis
à dor que já conhecemos de cor.
O recomeço verdadeiro
não acontece no primeiro dia,
mas no instante silencioso
em que a alma, cansada de repetir pactos,
solta a mão do medo
e atravessa —
mesmo sem mapa.
Stuka Angyali
Enviado por Stuka Angyali em 02/01/2026