O sussurro que desfaz o personagem
Permitir-se ser si mesmo
é aceitar que nem todos aplaudem a verdade.
Há quem se incomode quando você tira a máscara,
como se o seu rosto autêntico
ferisse o roteiro que eles escreveram para você.
Ser você — inteiro, imperfeito, verdadeiro —
costuma gerar descontentamento.
Não porque haja algo de errado em você,
mas porque sua presença desmonta as ficções
que muitos preferem manter de pé.
O estranhamento não nasce do que você é,
mas do que o outro nunca teve coragem de ser.
Ainda assim, pedem que você volte ao papel,
que recite falas que não escreveu,
que siga o script que alguém imaginou
para caber no mundo deles.
Mas existe um ponto em que a alma sussurra:
chega.
E, quando esse sussurro amadurece,
quebra-se o pacto com o personagem.
O corpo respira diferente.
A vida respira junto.
Permitir-se ser si mesmo
é atravessar a fronteira onde o medo termina
e começa — pela primeira vez —
a possibilidade de existir.
Stuka Angyali
Enviado por Stuka Angyali em 12/12/2025